Como médica, tenho a oportunidade incrível de ter um contato muito próximo com
a história de muitas pessoas, seus desejos, sonhos e frustrações.
Ao longo de 28 anos de prática ativa, em vários setores desta maravilhosa profissão,
vi mudanças significativas e drásticas, principalmente nos últimos 5 anos. A
Pandemia foi certamente um marco de mudanças já em acelerado andamento.
Como dermatologista observo que a estética, a preocupação com a aparência
aumentou exponencialmente. O sujeito submetido a forte vontade de ser visto
como belo e jovem, reforçado pelas mídias sociais, muitas vezes de forma perigosa
e vulgar.
O ser humano sempre foi vaidoso e encantado pelo belo em cada época de sua
existência. O poder da beleza é provado em vários níveis.
O autor de mudanças expressivas na aparência nos tempos modernos passou a ser
exercido por profissionais fora da medicina, sem controle. O papel dos próprios
médicos é questionado em todas as esferas da profissão.
O conhecimento e prática intensas da medicina são substituíveis? Apenas a
coragem do fazer seria suficiente? Quem tem a melhor rede social é o sábio?
Junto com as transformações estéticas de resultados bons ou questionáveis vem a
responsabilidade com os efeitos colaterais e insatisfações.
É preciso que a mão
que realiza e promete seja a mesma mão que corrige e se responsabiliza.
Todos os médicos são capazes, logo tem a mão para tais responsabilidades? Temo
que esta lógica também seja simplista e refutável.
Convido a reflexão sobre saúde, beleza e tempos modernos. O poder do
conhecimento para mim vem antes da beleza. A mídia e a IA são implacáveis e
irreversivelmente uma realidade. Façamos bom proveito delas.

